
O que você faz quando percebe que um certo sentimento de tristeza está prestes a invadir sua alma?
a.( ) Foge como o Diabo da Cruz. Finge que não é contigo, vai pra balada dançar, bebe com os amigos, dá gargalhadas, gasta o que não tem no shopping.
b.( ) Aceita e dá as boas vindas à tristeza, mergulha de cabeça na deprê total, sem resistências.
c.( ) Observa com tranqüilidade. Fica mais introspectiva, quieta, na sua, sabe que vai passar.
De forma bastante tosca, essa é a temática do filme “Melancolia”, de Lars Von Trier, em cartaz nos cinemas. É claro que a obra é bem mais complexa do que o jogo de alternativas simplistas que abre este post, mas segue mais ou menos por aí.
O “Planeta Melancolia” começa a se aproximar da Terra, o que causa uma “tensão” nas pessoas e nos relacionamentos. Conflitos internos e externos começam a ser percebidos (pelo público que assiste o filme) numa festa de casamento. Mas a história se desenrola até os personagens tomarem conhecimento do tal fenômeno astronômico.
Os comumente classificados como “autodestrutivos” embarcam na do “planeta Melancolia” sem qualquer resistência. Têm até um certo prazer em estar perto dele, na mesma vibração. Outros, que poderiam ser chamados de “otimistas”, tentam fazer do episódio um evento, entendê-lo e apreciá-lo. E há os que pelam de medo, tentam fugir, se inquietam e ficam desesperados como baratas tontas.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser como é, já disse Caetano Veloso, mas Freud avisou: a alegria é um evento episódico e não constante. Ou seja: é natural haver momentos de alegria assim como de melancolia ao longo da vida. Por que não encarar, então, com naturalidade a tristeza? Racionalmente, é fácil entender que a maneira mais “saudável” e fácil de vivenciá-la é observá-la com tranqüilidade, tentar entendê-la e até mesmo apreciar o que pode trazer de bom, em termos de reflexão e atividade artística. Enxergar a tristeza “como fim do mundo” só nos leva ao desespero e a destemperança. Já idolatrá-la e querer manter aquele sentimento sempre ali com você é o pior dos mundos.
A questão é: dá para escolher? Não é tão fácil como marcar um x em um teste de revista, mas é possível direcionar o nosso movimento diante de um sentimento. O primeiro passo é saber qual é o seu movimento diante da aproximação da melancolia. Você sabe? Prefere deixá-la dominar você, tentar dominá-la ou negociar com ela?

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