
Eu nunca gostei de matemática, mas a vida parece ser pautada por números. É quase impossível escapar deles. O nosso mundo interno, completamente subjetivo e preenchido por palavras, pensamentos e sentimentos caóticos, é atropelado pelo mundo externo – que tenta ordenar nossas atitudes, classificá-las enumerá-las. Mas ser “socialmente correto” pode nos custar muito caro. Além de ser “intimamente irresponsável”.
Desde pequenas começamos a fantasiar sobre o futuro baseadas em números. “Vou me casar aos 25 anos com um cara de 30 e terei 2 filhos”. Mais tarde, começam as cobranças...Quantos caras você já beijou? Mais de 20 com 15 anos, ah, então é galinha. Já tem 20 anos e nunca transou? É travada. Está com 30 e ainda não se casou? Ficou pra titia. Está chegando os 40, cadê os filhos? Parece que todo mundo tem de seguir o mesmo caminho, sem nunca verdadeiramente descobrir e trilhar o seu.
O filme “Qual é seu número?”, que estréia nesta sexta-feira, 14, nos cinemas brasileiros trata exatamente deste “peso” que o mundo exterior exerce sobre nós. Após ler numa revista feminina que mulheres que transam com mais de 20 caras tendem a não se casar, uma garota que já transou com exatamente 20 homens se desespera. Após fazer os cálculos, ela conclui: “se eu quiser me casar, terá de ser com algum dos meus ex-namorados!”. Sai então numa busca insana atrás de seu passado. É como se ela não confiasse que sua experiência até ali a tivesse feito evoluir, mudar nem trazido qualquer autoconhecimento. E não trouxe mesmo porque, até aquele momento, seus olhos estavam voltados apenas para fora, para o que os outros queriam dela. Jamais se voltaram pra dentro – “o que eu realmente desejo?”. Até mesmo a ânsia por se casar estava sendo pautada pelo casamento da irmã mais nova, que havia ficado noiva, e pelo desejo da mãe – esta amargurada pelo fim de seu casamento e tentava se realizar através das filhas.
A comédia romântica, que a princípio pode parecer “bobinha”, com um roteiro fraco e adolescente, acaba nos surpreendendo, se aprofundando em questões essenciais sobre relacionamentos familiares e a influência que eles exercem sobre nós. De quebra, traz o gostoso do Chris Evans no papel do personagem que vai levar a protagonista ao encontro da sua essência.

3 comentários:
Vou ver esse filme, achei muito interessante o tema, até porque é a nossa realidade. A sociedade nos cobra demais, e em especial a mulher; festa de 15 anos, 18 anos, formatura, casamento, filhos, batizado, festa de um ano dos filhos, e por ai vai.
Parece mesmo que todos acreditam que esse é o caminho da felicidade: estudar, fazer faculdade, se formar, trabalhar, casar, ter um casal de filhos (de preferência), fazer pós, mestrado, doutorado, ter uma casa linda, perfeita e sempre limpa,ter o carro, celular e computador do ano, viajar duas vezes por ano para o exterior, andar sempre bem vestida, bem tratada, filhos sempre bem cuidados, marido feliz... UFAAAA!!!!!
Será que é isso mesmo a felicidade? E para cada etapa, existe uma idade certa para que tudo se realize !
E ai de quem não segue esse caminho, parece que é condenado à infelicidade eterna !
Esqueci de dizer, a mulher ainda tem que ter hora pra fazer academia !
As vezes, números são importantes sim. E se eu descobrir que ele pode vir a ser meu número? Aí é correr para as palavras e dizer: Ainda bem que você chegou. Post lindo. Dê uma passadinha no meu Singular. Beijos.
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