Novembro 09, 2009

A Uniban de “saia justa”


Pega mal uma universitária usar vestido curto em sala de aula? E um garoto, tudo bem usar vestido para ir à escola, se ele tiver um comprimento apropriado?

Enquanto aqui no Brasil a discussão do momento é sobre como alunas de uma universidade devem se vestir; se a instituição tem direito de puni-las (até mesmo expulsá-las) porque foram de vestido curto; e os colegas de xingá-las (pois, afinal, foram provocados); nos Estados Unidos, a discussão é se as escolas de ensino médio devem deixar seus alunos do sexo masculino irem para a escola usando vestido. É isso mesmo: o movimento tem até nome – “crossdressing” (vestir-se usando roupas do sexo oposto)–, e tem se tornado bastante comum nos EUA. Ninguém nem discute o direito dos colegas chamá-los de "viado", tal atitude já é mais do que banida naquele país.

Ambas (o vestido rosa da aluna da Uniban e o crossdressing) são discussões que abrangem o direto dos gêneros. Mas enquanto aqui ainda parecemos estar presos ao início do feminismo, que lutava pela liberdade de quem era (e parece que no Brasil ainda é) tratada como “o segundo sexo” – as mulheres –, nos Estados Unidos já se propõe a desconexão entre gênero e sexo. Ou seja: não é porque você tem um pênis que precisa ser masculino, nem porque tem vagina que precisa ser feminina (desculpem-me pelos termos “ginecológicos”, mas as expressões mais "bonitinhas" poderiam ser consideradas “vulgares” pelos alunos da Uniban, e aí, como é que ia ficar minha reputação?!). Ou seja: o gênero estaria na nossa cabeça e no nosso coração. O que vale é o que a gente, no nosso íntimo, pensa, como se sente, e como se vê. Não importa o que está externo a nós. Cada um é cada um, os outros são os outros e só. Muito diferente do Brasil, onde todo mundo se sente no direito e até mesmo no dever de se meter na vida (e na roupa) dos outros.

Mas o que mais me intriga é um tema que ainda não foi levantado para discussão na imprensa brasileira: para que serve e o que é uma universidade? Essa seria a discussão mais proveitosa para os próprios universitários, os professores e os pré-universitários, utilizando o fato ocorrido na Uniban como gancho. Na minha concepção, baseada até mesmo no que eu vivi como universitária, o papel de uma universidade não é apenas o de ensinar seus alunos a reproduzir práticas de mercado, muito menos práticas sociais, conservadoras e retrógradas (como foi o caso da Uniban). Universidade serve para a gente repensar o que faz, seja no mercado, seja na sociedade. E, a partir da reflexão, criar novas práticas. Nota zero para a Uniban.

11 comentários:

=] disse...

Não tem nenhum lugar que não estejam falando da UniBan. Isso deu tanto o que falar que chega a fazer com que pensemos de outras formas.
Eu não sou o tipo de pessoa que só acredita em mídia. Nós temos que analisar o caso de uma forma completa. Eu uso roupas do comprimento daquele vestido rosa. Nunca na faculdade, simplesmente porque eu não acho que meus professores precisam ver minhas pernas, mas essa não é a questão.
Muitas garotas vêm pra faculdade de vestidos, saias e shorts curtos. Principalmente depois do calor exorbitante que começou a fazer nos últimos dias. Ninguém nunca foi chamada em coro de vadia ou de puta. A maioria das pessoas nesse país está acostumada com o pequeno comprimento das roupas das brasileiras (mais uma vez, culpo o calor) e não acredito que essa revolta com um vestido maior que muitos meus, tenha sido um acontecimento único e paralelo ao comportamento natural dessa garota.
Veja bem, não estou aqui dizendo que essa garota mereceu qualquer ofensa. Independente de qualquer coisa que ela tenha feito, ninguém tem o direito de ofendê-la ou coisa do tipo. Mas precisamos ter o pensamento crítico de que por trás dessa história tem muito mais do que a mídia quis nos mostrar.
E, venho dizer, que não acredito que a UniBan tenha expulsado a aluna por causa de um vestido curto. E sim por toda a publicidade negativa que essa garota trouxe para a instituição ao levar essa história a programas de auditório de baixo nível.
Isso eu considero uma justificativa sim.

Mas não tenho nada com isso. E gosto muito do seu blog, me desculpe se eu disse alguma coisa que você tenha considerado ofensiva.

Beijos e Boa sorte.
;]

Se o "se" não tivesse ficado só no "se" disse...

Concordo com o comentário de cima, a moça n precisava ir no programa do Geraldo...aposto que amanhã vai estar na Luciana Gimenez, até parece que ser se promover e virar atriz-modelo-apresentadora.

Anônimo disse...

A comparação entre o uso da microminissaia da moça e o uso de vestidos por homens não se aplica. Aplica-se o uso de calças masculinas por mulheres X o uso de vestidos ou saias por homens. Esclarecido esse particular, vamos ao traje da moça da UNIBAN.

Ela estava usando um traje totalmente fora dos padrões para uma escola. Não é o fato de ser antiquada e de não acompanhar os tempos. É ter bom-senso. Roupa de balada não é roupa pra igreja. Roupa de balada não é roupa pra escritório e nem pra escola. Exceção feita se o escritório lidar com modas ou lidar com 'comércio de mulheres'. Quem faz curso de turismo deve vestir-se adequadamente assim como se vestiria se fizesse curso de medicina ou de advocacia ou qq outro curso.

A mulher que se veste escandalosamente pra ir ao trabalho, pra ir ao supermermrcado, pra ir à escola está procurando sarna pra se coçar. Por muito menos do que isso muitas mulheres são estupradas.

É preciso distinguir a grande diferença entre liberdade de expressão e bom-senso. Em toda e qq circunstância onde falta o bom senso, o caldo entorna. Para seu próprio bem, toda mulher deveria aprender a ser chic em todo lugar e em qualquer ocasião. E ser chic começa pela discrição ao falar e ao vestir-se. E pudor, um poucquinho que seja, não faz mal a ninguém. --LisbeL

Anônimo disse...

As faculdades americanas têm um código estabelecendo como os alunos devem se vestir. O mesmo se aplica para os escritórios, para as lojas e para todo ambiente de trabalho cujo objetivo não seja a tentação sexual. Em locais de atendimento ao público não se pode trabalhar com lenço na cabeça, nem usar roupa de manga cavada, nem usar sandálias mostrando os dedos, entre outras restrições (particularmente em lojas e locais de alimentação). A realidade americana e a brasileira são diferentes. Podemos traçar paralelos entre ambas, porém qdo se trata de fazer comparações específicas e radicais há que ponderar bastante.

Se o que a moça da UNIBAN enfrentou tivesse a ver com o 'segundo sexo' (Simone de Beauvoir se referia ao intelecto), as alunas então poderiam ir pra faculdade usando pijama, camisola, traje de praia, começando pelo biquini... e aqui você também acharia preconceituoso se os alunos tivessem a mesma reação que tiveram pela minimicrossaia?

O assunto da moça da UNIBAN nada tem a ver com moda e nem com liberdade de expressão. O assunto tem a ver com falta de bom-senso... popularmente conhecido como simancol. É como ser uma Mulher Melancia num mundo onde existiu Coco Chanel (post de 03.11.09).

A Mulher Melancia nunca soube da Coco Chanel. E nem a Geyse Arruda sabe da Coco Chanel... porém, antes da Coco Chanel já existia o pudor e o bom-senso. Simancol é eterno. --LisbeL

Barbara Semerene disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Barbara Semerene disse...

Lisbel, nenhuma falta de "simancol", como você chama, justifica um comportamento "animal", de "manada", como ocorreu na Uniban. Você, pelo jeito, é a favor do "joga pedra na Geni". O problema é dela se não tem bom senso, e da faculdade se não tem regras claras que impeçam o uso de peças específicas de roupa para a aula. Se permitiu a entrada da Geize, que zele pela sua segurança e dignidade ali dentro. Tem tudo a ver com o respeito à diversidade e à diferença, seja você travesti, transexual, prostituta, burguesa, negra ou evangélica. O que está em questão é o respeito à individualidade, à liberdade de ser quem se é. Estão todos ali para aprender, e não para julgar. Por favor, no próximo comentáriol, identifique-se, em vez de colocar o comentário como anônima, assim, provará que banca de verdade o que pensa. Obrigada por participar. Aqui é um espaço que valoriza qualquer forma de expressão.

Anônimo disse...

Eu me identifiquei como LisbeL usando uma das opções que o blog oferece.

Você está comentendo um equívoco, pois meu comentário não foi em apoio à reação contra a moça e sim sobre o porquê da moça ter provocado a situação. Falta simancol a quem se veste da maneira como a moça o fez para ir ao local onde ela se fez presente. E se a faculdade não tinha um código de conduta/vestimenta, espero que aproveite a oportunidade e agora já tenha o referido código.

É utopia querer acreditar que vivemos numa sociedade em que onde se aprende não se julga.... --LisbeL

Anônimo disse...

A mulher que quer libertade para se expressar livremente e 'ser quem é' não pertence aos bancos universitários se essa expressão de liberdade for, no entendimento da dita mulher, vestir-se de forma escandalosamente provocante no meio masculino.

A forma de expressão em vestir-se escandalosamente não faz parte do que Simone de Beauvoir e Coco Chanel se referiram sobre liberdade feminina, sobre feminismo, sobre autenticidade - ou seja, nada a ver com respeito à diversidade e à diferença... ser homossexual ou heterossesual, ser travesti ou transsexual, ser ou não prostituta (termos que vc apresentou em resposta ao meu comentário).

Provavelmente a moça da UNIBAN vai se expor em alguma revista masculina e ainda descolar algum papel na Globo e vai ganhar dinheiro com toda essa polêmica.

Se você escrever um post focando o comportamento dos colegas estudantes, então farei meu comentário dentro desse contexto. --LisbeL

Anônimo disse...

Deslcupe...mas você como "dona" blog permiti que as pessoas não se identifiquem..... achei nada a ver seu comentário de pedir para que a pessoa se identifique para bancar o que ela pensa!!!!! Foi você mesma quem permitiu... só disse isso, porque o comentário da Lisbel foi totalmente coerente e contra seu post!!!!
No caso na moça da UNIBAN.... só tenho a dizer que realmente ela procuro e encontrou.... imagino que tem muita coisa ainda por trás do que mostram, claro que não justifica a reação dos alunos, a faculdade não tem nada a ver com isso, acho que faltou sim bom senso por parte dessa moça, e tenho certeza que santa ela não é, porque dificilmente a reação não seria causada assim do nada !

Anônimo disse...

Acho que bom senso é saber que existem lugares que pedem certos tipos de roupas, pois se ela quizesse ir de bikini na faculdade, todos deviram respeitar a "liberdade de ela ser quem ela quer"? Não justifica claro a reação dos alunos, zoação claro! E entendo que não é obrigação da faculdade ditar com que roupa as pessoas devem ir ou não, mas cabe a pessoa entender que faculdade já é um outro nível de graduação. E entendo que essa é a questão, afinal faculdade tem esse nome por isso, é uma opção sua, dentro de uma falculdade entendo que temos a liberdade que quisermos!
Bom mas, uma pessoa que em rede nacional e que se diz universitária chamar cabeleireiro de "cabeleleiro", não deveria merecer tanta atenção assim! Querer ser sensual é uma coisa, independe do tamanho do vestido que se usa, agora, querer aparecer é outra, é não saber usar da inteligência

Juliana Dias disse...

Nada justifica a hostilidade desenfreada que esses universitários (que mais pareciam alunos de 5 série) fizeram. Fico triste em ver que a educação nesse país é tão falha. Mas há faculdades e faculdades. Os dois lados erraram e, muito.