
Quinze anos atrás, uma das minhas melhores amigas ficou grávida. Meu mundo caíu. Eu fiquei magoadíssima, como se tivesse sido traída. Não, não éramos namoradas. Eu nunca fui lésbica. Mas, poxa, a gente tinha planejado tanta coisa para o nosso futuro! Viagens ao exterior, morar juntas sozinhas, sem a família, antes de nos casar, e até de engravidar na mesma época. A sensação era de perda e de nostalgia por aquilo que a gente não mais viveria. Tínhamos apenas 17 anos, mesma idade daquele que seria pai do filho dela, um namoradinho que ela havia conhecido seis meses antes.
Hoje uma outra grande amiga minha – a primeira amizade que fiz na vida, aos seis anos de idade, no pré-primário, e que se mantém até hoje – me ligou contando uma novidade: está grávida pela primeira vez, aos 32 anos, depois de três anos de casada. O que eu senti? Só felicidade. Um bebê agora me causa a sensação de ganhos, muitos ganhos, muita alegria, ao contrário do que senti aos 17 anos.
Comparando os dois eventos, fiquei pensando em outros, nas tantas vezes que tomei uma decisão e fiquei angustiada com ela, ou diante de alguma situação senti um incômodo por dentro sem saber explicar porque (“esse cara é certo para mim?”; “está na hora de terminar esse namoro ou espero mais um pouco?”; “será que embarco nesse barato com meus amigos?”; “eu gosto mesmo desse namorado?”; “será que posso confiar nessa amiga de verdade?”; "fui muito rude com a minha mãe hoje?").
Depois lembrei de momentos nos quais nenhuma dúvida me abateu, eu me senti plena, e em paz (quando decidi que queria fazer intercâmbio, quando disse um “sim” convito a um garoto que eu queria namorar, quando eu marquei um x na opção “jornalismo” na inscrição para o vestibular).
Cheguei, então, à conclusão que toda vez que eu estive em dúvida se alguma atitude – minha ou de outra pessoa – era certa ou errada, é que ela era errada -- pelo menos naquele momento. Porque quando algo nos parece certo de verdade a gente não se questiona, a gente sente uma paz tão grande no coração que apenas faz!
No fundo no fundo, o certo e o errado não existem. Depende de quem julga. Há que se observar o que se sente: paz ou agitação interior? Se é paz, está certo. Se for agitação interior – seja de excitação ou de angústia – melhor parar e pensar. Você poderá estar diante de uma decisão impulsiva, apenas baseada no prazer imediato, ou diante de algo que o seu feeling aponta ser perigoso.
Veja o caso da gravidez, por exemplo. Não é exatamente errado ser mãe solteira, ou mãe adolescente. E tem lá suas vantagens. O corpo volta a ficar em forma mais rápido, e aos 30 anos você não estará desesperada achando que está na hora de ser mãe. O filho já estará crescidinho e você poderá dar todo o gás na sua carreira neste momento. Também há um tantão de desvantagens, é claro. O que te deixa mais em paz: as perdas ou os ganhos? Baseie-se nisso para avaliar.

5 comentários:
As perdas e os ganhos geralmente me fazem perder a paz.
Affffffffff... ultimamente não estou tendo paz mesmo nas minhas escolhas... estou preferindo ficar quietinha dentro da concha!
Tudo que disse é verdade mas nao podemos esquecer que fatos como esse (e outros) apesar de ser um baque pra muitos tambem ajuda a crescer e é importante na escolha do caminho e comportamento adotado.
Bjos
Nem sei direito o que dizer, normalmente quando eu tenho que fazer uma difícil escolha,eu perco a paz...
é raro eu escolher algo sem restar-me algumas dúvidas!!!
Cada um escreve sua história e logicamente a hora de pensar é antes de acontecer.. pesar prós e contras, ajuda e muito..
Unir razão e coração, também da certo.. o importante é não ultrapassar a razão dos seus valores e nem menosprezar seus reais motivos..
Fora isso.. que sejamos felizes, pq dúvidas existirão sempre!
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