Outubro 01, 2007

Eu tenho medo de mundos fantásticos


Essa é mais uma história dessas que eu sempre ouço por aí, da boca de pessoas diversas. Até que um dia: pumba, chego a conclusões generalistas.

Uma amiga estava dizendo que domingo que vem ela não poderá me acompanhar a um evento porque estará na Ilha Grande. Eu disse: “Que legal! Com quem?”. E ela me contou que vai com cara com quem está ficando, mas que ele ainda não sabe disso. Eu perguntei: “ah, você vai convidá-lo?”. E ela me explicou: “não, ele que vai me convidar. Mas eu tenho certeza que ele vai me convidar. Estou projetando isso, fazendo pensamento positivo pra isso, E VAI ACONTECER PORQUE EU QUERO QUE ACONTEÇA.” Fiquei me questionando: “será que ela está louca? Aderiu a uma seita que mistura neurolinguística e a filosofia propagada por aquele filme/livro recente ‘O Segredo’?”

Essa minha amiga é pura ansiedade. Ele vive ligada no 220. Se a vida está um tédio, ela fica tensa porque nada está acontecendo. Se algo bom acontece, ela fica tensa porque as coisas estão acontecendo. E não, ela não é louca. Como ela, muita gente embarca em suas próprias fantasias ao ponto de se fiar mais nelas do que na realidade. Não raro, se frustram. E, como a minha amiga, vivem ansiosas. Elas imaginam que podem fazer as coisas acontecerem com a força do pensamento. Então, não param de pensar nem um segundo. Não relaxam. Fazer uma yoga ou meditação? Não conseguem. E vivem estressadas. Não é à toa. Quem consegue fazer caber tanta coisa na cabeça - as práticas e as abstratas, do passado, do presente e do futuro???

Outra amiga, dessa mesma espécie, tava me contando que havia brigado com o namorado. Ao perguntar porque, eis a resposta: “ele me disse que ia jantar com os pais. Eu comecei a me questionar: será que ele vai mesmo jantar com os pais? E imaginei toda uma historinha na minha cabeça: que ele tinha ido jantar com outra garota, que era uma loira gostosa, e que depois eles foram parar no motel. Liguei pra ele soltando os cachorros, dizendo que eu não confiava nele, que duvidava que ele tinha ido mesmo jantar com os pais”. O pior de tudo: ela não acha que surtou. Acha que foi intuição.

E quantas vezes eu já não ouvi, da boca de diferentes rapazes a seguinte frase: "a gente não deu certo porque eu idealizei a garota demais. Ela não era tão perfeita quanto eu imagivana". Pergunta: não vê que o erro está na expectativa de encontrar alguém perfeito?!!!! Como pode alguém acreditar nessa hipótese?

É importante, sim, fantasiar. Aliás, é a fantasia que movimenta nossos desejos e nos faz traçar metas. Mas embarcar no “maravilhoso mundo fantástico de Amelie Poulan” e passar a viver mais dentro da sua cabeça do que de fora, no mundo tangível e concreto, é muito perigoso, te isola de estar com cada uma das pessoas que estão à sua volta – as que já a conhecem e as que você poderia conhecer. É o alimento para a ansiedade e para a frustração. Você fica concorrendo com a própria vida pra ver quem manda mais: você ou ela. Teima em manipulá-la. Em vez de ser parceira dela. E impede que ela a surpreenda. Acha que é Deus e tem o poder de saber o que vai ser melhor pra você e como as coisas devem acontecer pra que tudo se encaixe e dê certo. Quanta onipotência!

Eu, muitas vezes, peco pelo contrário. Quando começo a embarcar numa fantasia, imaginar uma cena futura, me podo logo. Porque se não, eu sei que não vou conseguir viver alegremente o presente, me encantar e surpreender com as coisas que acontecem ao meu redor. Vou viver distraída, deixando copos cair, tropeçando nos meus próprios pés, e deixando novidades passarem sem que eu as note. Que desperdício. Eu conheço tão pouco da vida pra saber o que é melhor pra mim. Eu só seu o que foi melhor. Mas o que será, a vida me dirá. Ainda.

5 comentários:

Roberta disse...

Eu não tenho medo de mundos fantásticos. Em algumas situações e determinados momentos da vida a fantasia é a minha única parceira. Capaz de suprir todos os meus desejos e a intensidade da minha alma. Ansiedade faz parte e a gente trabalha com terapia e exercício físico. Yoga duas vezes por semana também ajuda. E sigo tentando ser feliz da única maneira que sei: verdadeiricida.

Caloã disse...

Mas normalmente as mulheres são seres viajantes. Este caso da tua amiga viajar e achar q estava sendo traída é comum. E o pior de tudo é que, a grande maioria das mulheres, acha isso completamente normal.

Bjins.

naatalia disse...

Barbara!
ia te dar uma dica pra fazer um post, sobre ouvir músicas quando uma menina está apaixonada, o quando isso pode tocar elas. principalmente quando vêm pelo msn que o garoto amado, está ouvindo AQUELA música.
E quando não se esta apaixonada, a diferença que faz.
Leio eu blog todos os dias, me encanto com as coisas que você escreve! Admiro você!
beijos :*

mykaleidoscope@hotmail.com

Gustavo Gitti disse...

Bárbara, você está CONVIDADÍSSIMA a escrever sobre seus mestres, aquelas pessoas que constituem seu corpo e mente e sem as quais você não seria o que é.

Leia mais aí:
http://nao2nao1.com.br/pessoal/meus-mestres-de-musica-relacionamento-filosofia-espiritualidade-e-sexo/

Quando escrever me passe link e foto (ou imagem qualquer se não quiser aparecer) e vou te linkar no fim desse post.

Ah, linkei seu blog tb no nao2nao1.com.br (BLOGS QUE LEIO).

Abração!!!!

Gustavo Gitti disse...

Se o link não abrir, vá em nao2nao1.com.br e procure por "mestres". Abs!