Dezembro 16, 2009

Umbigo


Quando era pequena, Joana pensava que tudo parava quando ela não estava por perto. Ao sair de qualquer recinto, as cenas congelavam e todas as pessoas viravam estátuas. Ela também tinha certeza de que sentimentos e relações eram sempre recíprocos: quem ela gostasse automaticamente gostaria dela, quem ela achasse bonito obviamente a acharia também. Nota-se que era uma garota feliz, sem qualquer tipo de nóia ou neurose.

Joana cresceu. Virou uma advogada bem sucedida, um tantinho workaholic e centralizadora, mas muito carismática, o que compensava qualquer atitude mais agressiva, o que não raro ocorria. Joana era direta e objetiva, não tinha nove horas. Assertiva, falava o que pensava, sem papas na língua. Magoava os mais sensíveis, a maioria das vezes sem perceber. Mas mesmo quando percebia, dizia a si própria “eles que procurem um analista”.

Joana era satisfeita consigo mesma, tinha uma boa autoestima e autoconfiança absoluta. O único problema é que ela não conseguia um namorado fixo. Todos os homens a achavam bonita demais, inteligente demais, bem sucedida demais, com autoconfiança demais. Era muita areia para o caminhãozinho de qualquer um.

Bem, essa foi a teoria que Joana criou para explicar a si mesma porque os homens só passavam, nunca permaneciam em sua vida. Acreditando nisso, seguia sua vida tranquila, afinal, ela jamais abriria mão de todos os seus talentos para agradar os homens. Sentia-se impotente com relação ao sentimento que provocava neles. "Eles é que arranjassem um analista."

Viagem para a Itália. Joana conhece um toureiro espanhol que, como ela, ali passava férias. Eles vivem uma tórrida aventura amorosa. Logo que se conhecem, conversam pouco. Se esbarram num bar e a atração é tão forte que em meia hora estão na cama do hotel. Dois dias depois, quando resolvem sair para comer alguma coisa, travam o que não se pode chamar de diálogo. Só o homem fala. E apenas de sua própria vida. Quando Joana arrisca dizer um simples "eu também”, dá tempo de falar a primeira vogal. O homem se basta. Não há espaço para ela ali. O toureiro é tão embevecido com suas próprias peripécias, que precisa apenas de um espelho, não de uma mulher. A não ser, é claro, para ter prazer sexual. Não existe brecha para interação. Joana se sente inútil. Joana se sente pequena. Joana se sente só. Joana se sente triste. Joana se sente magoada.

Joana se toca. Ela é mesmo o espelho do toureiro. Eles são idênticos! Ela se lembra de tudo o que já fez. E sofre. Finalmente, olha para os outros. Sim, eles existem. Mesmo quando ela não está presente.

Dezembro 13, 2009

Seja você


Quem é você quando acata o que os outros dizem ou repete o que eles fazem? Ninguém. Você desaparece na multidão.

O conselho “seja você” não é superficial como parece. Pedir aprovação é o primeiro passo para ser rejeitada. Quando recriminam o seu jeito de ser, não tente se encaixar. Apenas imponha a sua autenticidade. É assim que se conquista respeito. E às vezes até lança-se moda.

Não se deixe contaminar com os complexos alheios. As pessoas repudiam o que lhes parece diferente, ou o que elas gostariam de ser e não conseguem. Daí vem a inveja, o ciúme, a postura defensiva. Normal. Não se abale.

O desconhecido sempre assusta. Isso porque mexe com nossos parâmetros, os paradigmas, e nos faz refletir “quem eu sou”. O diferente tira as pessoas da sua confortável poltrona e as coloca na janela, o que lhes permite enxergar por um outro referencial, não tão querido porque desconhecido e tão amplo que as tira de seu ponto de equilíbrio.

Quando uma nova realidade se apresenta, primeiro nos defendemos, para só mais tarde observá-la e compreendê-la. Isso é para os sábios, abertos ao novo. Para quem tem o ego muito preso e pré-moldado, a sensação de desconforto é insuportável. Daí vem a repulsa.

Sabedoria é saber discernir quando o problema é deles, e não seu.O medo e a culpa são o adubo da padronização de comportamentos, o que há de mais nocivo para a evolução humana.

Ser autêntica não é ser arrogante nem se sentir superior. É apenas assumir-se diferente. Como todos, na realidade, são uns dos outros. Mas disfarçam bem pra tentar espantar suas inseguranças.

Dezembro 10, 2009

Debaixo dos caracóis dos meus cabelos...


Alforria, enfim. Os cabelos enrolados estão na moda, decretou Manuel Carlos em sua Viver a Vida.

Passei a minha vida lutando contra os caracóis. Eles eram rebeldes, tinham vida própria, não me obedeciam. Eu fazia de tudo para domá-los. Secador, chapinha, bobs, hidratante, banho de creme e perda de tempo.

Me lembro da primeira vez que fui a um salão, com a minha mãe. Eu tinha 4 anos. Sim, me lembro. Foi traumático: cheguei chorando, eu não queria cortar o cabelo. Até que a cabelereira me deu um livro de “cortes de cabelo” para me acalmar. Conseguiu. Me empolguei. Ao avistar um cabelo liso e loiro, disse “quero assim”. Ela sorriu e me informou que daquele jeito era impossível, afinal, eu tinha cabelos castanhos e encaracolados. Berrei. Esperneei, difamei o salão e a pobre mulher. “Pra que seve um salão, então?”. É, eu já tinha personalidade aos 4 anos.

Minha mãe tem cabelos lisos. Minhas melhores amigas também. O que sempre me levou a achar que havia algo errado em mim. Piorou quando comecei a ver novelas e revistas. Todos os fios eram retos. E o meu, bem, “pau que nasce torto nunca se endireita”.

A batalha continuou. Até que comecei a pensar por que eu não gostava dos meus cabelos. Eu simplesmente não tinha controle sobre eles. E o que poderia ser bom – afinal as pessoas bebem, se drogam e se jogam na balada pra ver se consegue perder o controle de si mesmas um pouco – era algo negativo. Eu já era muito assertiva (para não dizer agressiva) pra ter aquele cabelo selvagem. Precisava contrabalancear com um meigo e feminino cabelo liso. Se eu não conseguia domar meus sentimentos e a minha cabeça, pelo menos os meus cabelos eu tinha de conseguir!

Um dia, comecei a ligar menos para o que os outros pensam, a querer ser menos igual e mais diferente. A me empenhar em descobrir o que há de único em mim. Meu Deus! Como a minha espontaneidade é latente. Os cabelos enrolados têm tudo a ver comigo! Por que tentar domesticá-los se eu própria vivo em constante luta em prol da minha liberdade? Definitivamente, não quero ser uma moça bem comportada. Eu quero é ser feliz. Com os cabelos ao vento, soltos, pegando chuva, sem medo de se molhar.

Santo Manuel Carlos! Um brinde à Taís Araújo, Giovana Antonelli, Paloma Bernardi, Adriana Birolli e até mesmo a Alinne Moraes (que em Viver a Vida está de chapinha, mas tem um cabelo deslumbrantemente enrolado). Chega de violência capilar!

Enfim, de que vale os seus cabelos lisos se as idéias estão enroladas dentro da sua cabeça?

Por uma vida menos banal


Detessssssssssssto rotina. E cheguei à conclusão do motivo. Tudo o que a gente faz repetidamente, frequentemente, se torna banal. Eu amo escrever, por exemplo. Sou apaixonada por textos, palavras, frases. Mas quando se lida com textos diariamente, aquilo se torna rotina. E perde o valor. É matemático, teoria econômica: quanto mais se tem, menos se valoriza. Quanto menos, mais valioso fica.

Vale pra tudo. Não é à toa que tem homem faltando por aí, amores em extinção. O universo é sábio. Se tivesse de sobra, a gente estaria de saco cheio de amores e de homens. Não reclamemos, então.

Para fugir do banal, eu passei minha vida mudando de cidade, de empregos e de amores. Até que percebi que, pra se ter paz, é preciso aprender a se apaixonar pelo cotidiano. E saber que nada é garantido e por isso tudo é dinâmico. A rotina é uma ilusão. Porque tudo está em constante transformação. O problema é seu se não nota. Tudo é efêmero, inclusive o nosso olhar sobre o que se passa ao nosso redor. A maneira de compreender, o modo de interpretar e de lidar com o rami-rami é que tem de mudar.

Nós próprias não somos as mesmas todos os dias. Um dia aparece uma ruga, outro dia é um cabelo branco, e tem vezes que é uma celulite. Um dia se está mais radiante, noutro mais deprê. Um dia nasce ensolarado, outro dia chuvoso. E ainda tem o frio, o calor, o vento.

Nós temos tantos lados, somos tão plurais, que não há como nos conhecermos por inteiro até o fim da vida. Assim também é com quem está do nosso lado. Todos os dias podemos descobrir um aspecto novo se tivermos perspicácia para sermos diferentes também com o outro.

É assim que se aprende a namorar e a gostar de namorar. A escolha é sua: mudar de parceiro todos os dias, ou descobrir num mesmo cara os tantos homens que ele é.

Dezembro 02, 2009

Eu não quero ter um milhão de amigos


Quando eu tinha 15 anos, o meu sonho era ser popular. Até que percebi que minhas características eram incompatíveis com a popularidade: sempre fui megacrítica, irônica, excessivamente franca e transparente. Além disso, tinha uma pitada de arrogância – talvez justamente por achar que tinha mais senso crítico do que a maioria das pessoas. Definitivamente, eu não tinha talento para ser popular.

Para ser popular, é preciso, primeiro, ser simpática com todo mundo. Isso já exige que você seja um tanto quanto falsa. Afinal, nem todo dia você está de bom humor. Nem todo dia você está feliz. E nem todo mundo é legal. Em segundo lugar, para ser popular, você tem que ser um pouco insegura e um tanto carente. Porque alguém com uma boa autoestima e autoconfiança não sente tamanha necessidade de agradar todo mundo e ser vista por todos como “a pessoa legal”. É a carência o que dá paciência aos populares para ter tanta gente por perto o tempo todo pedindo conselhos, colo, ouvidos. Haja saco!

Além disso, para ser popular é preciso ter muita empatia com as pessos. Ou seja: saber se colocar no lugar dos outros. O problema é que, quando você tem tamanha sensibilidade, acaba esquecendo de si mesma, dos seus desejos, anseios e limites. Simplesmente não tem como pensar em si e ao mesmo tempo estar sempre disponível aos outros. Acaba-se com uma baita dificuldade de dizer “não” e uma baita gastrite por se violentar tanto.

Ainda bem que, com o tempo, eu parei de achar que ser popular era sinônimo de ser uma boa pessoa. Percebi que ser gente boa é bem diferente de ser boa gente. Muitos dos populares que eu conheci não eram pessoas em quem eu podia confiar. Óbvio! Um ser popular absolutamente não pode ser transparente. Porque se ele fosse expressar o que realmente sente, não seria popular. Já que todo mundo na face da terra tem sentimentos negativos e dias de mau humor. Em segundo lugar, quase todas as pessoas populares não tomam partido de nada nem de ninguém. Estão sempre em cima do muro. Afinal, eles não podem desagradar uns em detrimento de outros.

Eu descobri, então, um rótulo pra mim que me agradava mais do que ser popular: eu era autêntica. E, principalmente, uma boa pessoa. Me bastava que os meus poucos e fiéis amigos soubessem disso. E estivessem comigo não porque eu lhes massageasse o ego, mas porque eu era verdadeira.

Novembro 30, 2009

Como “vencer” uma D.R. com seus pais


Férias chegando, Reveillon à vista. Momento de negociar com os pais. A grande questão na maioria das casas é: viajar com o namorado. Eles costumam ter uma resistência danada com relação a isso! Vamos analisar os argumentos que você pode ter na manga na hora de discutir com eles, para conquistar um “pode ir” como resposta. Prepare-se:

- Primeiro, você própria tem de acreditar que tem direito de viajar com o namorado. Só então terá argumentos suficientes e verdadeiros. Se tem dúvidas, vai ser difícil convencê-los.
- Você tem de estar preparada para sair do lugar de “filhinha do papai e da mamãe” e encarar o sofrimento de vê-los te olhando como mulher. Se quer continuar sendo a "bebê" da família, desista dessa viagem.
- Use o discurso da responsabilidade: “vocês acham que eu tenho responsabilidade suficiente para dirigir, para beber e até para fazer estágio. Por que eu não teria responsabilidade suficiente para viajar com meu namorado?”
- Faça a pergunta-chave para que eles próprios entendam o que sentem em relação a você viajar acompanhada: “Do que vocês têm medo?”.
- Mostre por A + B que você merece: “Poxa, eu ralei o ano inteiro, passei no vestibular, andei de ônibus pra lá e pra cá, dei um duro danado no emprego para ganhar uma graninha, juntei essa grana o ano todo, estou cansada, estressada. Eu realmente estou precisando relaxar, descansar”.
- Massageie o ego deles: “Pai, mãe, vocês me criaram com tanto carinho e amor, me ensinaram a me respeitar, eu tenho uma boa autoestima e pés no chão graças a vocês. Não confiam que eu aprendi os meus limites?”.
- Faça chantagem emocional: "esse talvez seja o último ano que vou ter férias, já que ano que vem eu vou me formar e sabe lá Deus quando arranjarei um emprego que me dê férias, o ano que vem vai ser superpesado, terei monografia de final de curso, estágio obrigatório, me dêem esse descanço antes do inferno começar, por favor?".
- Em último caso, seja direta: “gente, eu e meu namorado já temos relação sexual. Se vocês não deixarem a gente viajar, simplesmente vamos trocar a praia por um motel sujo e sem graça aqui na cidade mesmo. Vocês só vão fazer o nosso reveillon ser menos divertido, pra que? Querem me ver infeliz?”.

Bom, esses são argumentos gerais. Agora vamos pensar nos argumentos que eles têm para rebatê-la. E como pode ser a sua tréplica:

Eles: - Você é muito nova, não queremos que seu namoro fique tão sério.
Você: - Mas o meu namoro já está sério. Não adianta postergar mais isso. A gente só quer sair da rotina um pouco.

Eles: - Você não tirou notas boas esse ano, não merece viajar.
Você: - Eu já estou superchateada com isso. Pelo menos deixa o meu lado afetivo ficar legal, se na vida estudantil eu me dei mal este ano?

Eles: - Nossa família tem de viajar unida, nós queremos que você vá com a gente.
Você: - Pensa bem, gente, eu não posso deixá-lo viajar sozinho com os amigos. É dar muita brecha para o azar. E se a carne é fraca? Vocês querem que o meu namoro acabe? Eu vou ficar sofrendo, com saudade, preocupada se ele está se comportando.

Eles:
- Nós nem conhecemos esse menino direito.
Você: - Mas vocês me conhecem. Não confiam no meu julgamento? Acham que eu iria querer namorar com um malandro, sem vergonha?

Mas, se depois de tudo isso, eles não se convencerem, só resta respeitar. E esperar até você ter dinheiro pra ir morar sozinha e viver sob suas próprias regras. Sorry! Alguém mais aí ajuda?

*Atenção: nada de ficar emburrada, passar a noite chorando no quarto ou viajar de qualquer jeito. Isso é jogar baixo!!! E você só vai provar para eles que ainda é uma menininha e não tem mesmo condições de bancar um namoro sério!

Novembro 26, 2009

Nem toda garota quer um namorado


“Acho que tenho um problema: eu não gosto de namorar. Depois das primeiras semanas, me sinto sufocada.” Ouvi esse comentário de uma garota dia desses. E fiquei pensando: a sociedade determina o que são coisas boas e o que são coisas ruins pra todo mundo, como se todo mundo fosse igual. A gente vê os filmes e livros à lá O Diário de Bridget Jones, e Sex and the City, vê as revistas teens e as femininas recheadas de dicas de conquista, e até mesmo esse blog “Quer namorar comigo?”, e pensa que todo mundo está nessa onda – se descabelando por um namorado. Há mesmo uma pressão muito grande para que toda menina esteja louca por um namorado. Da mesma maneira que existe pressão para que os homens tenham sempre a postura de não querer namorar, só ficar. Mas a realidade “interna” das garotas e dos garotos não é bem essa. E nem tem que ser. Afinal, você é uma pessoa ou um estereótipo? Se ninguém te falou ainda, eu te digo: é normal menina não querer namorar!

Eu própria, quando era adolescente, e até mais velha um pouquinho do que isso, já estive nessa fase. Eu curtia o jogo de sedução, queria ter certeza que eu era capaz de atrair e deixar os caras loucos por mim. Mas namorar mesmo, ter aquele compromisso de ligar todo dia, sair só com o cara, Deus que me livre! Achava um saco. Já bastava meus pais no meu pé. Naquela época, eu curtia sair com as minhas amigas, éramos a maioria solteira, e nos divertíamos adoidado. Nos bastávamos. O mais legal das baladas era o pós-balada, a hora de contar o que tinha acontecido. Falar era melhor do que beijar, essa é a verdade, apesar de ninguém admitir e fazer questão de exagerar na hora de contar “como ele beija bem!!!”.

Essa fase de não querer namorar pode se repetir muitas vezes ao longo da vida. Eu tenho uma amiga que está com 30 anos e há um ano sem beijar na boca. Como ela consegue? Até eu já me fiz essa pergunta preconceituosa. Ela não está fazendo nenhum esforço, nem sacrifício. Você nunca passou um período sem vontade de comer chocolate? Tá, a comparação talvez não tenha sido boa, porque chocolate, cá pra nós, é melhor do que beijar na boca. Mas você nunca enjoou da comida que mais gosta depois de se empanturrar dela? Então, depois de namoros longos, é comum que a gente queira um pouco de solidão. E não há mal nenhum nisso. Não se afete pelas cobranças.

Novembro 20, 2009

Quando ninguém pode te salvar


“E agora, quem poderá me defender?”. Lembra-se da frase do Chapolim Colorado? No seriado mexicano, o super-herói atrapalhado sempre aparecia quando alguém pronunciava a oração. Mas na vida real, não é bem assim.

O Chapolim pode não ser do seu tempo, mas a sensação de estar completamente desamparada certamente você já sentiu. Ela me voltou à memória ao acompanhar o drama da Luciana, personagem vivida pela atriz Alinne Moraes na novela Viver a Vida, que tem me impressionado muito. A modelo que sofre um acidente e fica tetraplégica. No último capítulo, em meio a um surto, presa à cama da UTI de um hospital, ela gritava: “Me tira daqui, pelo amor de Deus, é ruim demais!”. E perguntava ansiosamente aos médicos “quando eu vou ficar boa? Eu vou ficar boa?”.

Não precisa estar presa numa cama, nem ao seu próprio corpo imóvel, para saber o que a Luciana está sentindo. Me lembro de ter sentido essa angústia todas as vezes em que terminei namoros importantes, ou que alguém muito querido faleceu. Impotência.

É uma dor tão íntima, tão só nossa, que ninguém, nem a melhor amiga, nem a mãe e muito menos um novo ficante, pode arrancar de dentro da gente. É um sentimento negativo preso no nosso corpo que não há remédio que cure. É como se não tivéssemos pernas para fugir dessa dor, nem braços para arrancá-la do peito. Misturamos a ansiedade de querer que passe logo com o medo de nunca mais passar.

Mas é nessas horas em que ninguém pode nos ajudar, em que não há escape, que chegamos a um ponto-chave para alcançar a felicidade: não adianta se fazer de vítima. Não adianta se apegar à frustração. Não adianta ficar chorando. Os outros podem até sentir pena de você, passar a mão na sua cabeça, mas isso tudo não vai te tirar dessa.

O jeito é encarar a nova realidade e tentar ser feliz a partir dela, montar um outro parâmetro do que é alegria. A partir de você mesma neste momento, não em comparação com quem você já foi, ou com outras pessoas. Ser feliz é justamente isso. Não é um estado passageiro, mas o fato de ter sempre objetivos, forças para seguir as metas a fim de alcançá-los, e perspicácia para perceber que objetivos mudam ao longo de uma vida que é essencialmente dinâmica. . Atingi-los é só um detalhe, que nos proporciona alegria, essa, sim, sempre efêmera.

Enquanto você ficar apegada a objetivos que não foram alcançados, mais tempo estará perdendo para alcançar os próximos.