Julho 15, 2008

Onde estão suas rodas?


“Eu queria tanto um namorado”.
“Quem me dera ser a mais popular do colégio”.
“Como sonho em ser famosa, modelo, atriz, BBB.”
"Meu sonho é passar no vestibular!"

Você tem uma roda na cabeça. O pulo do gato é colocar uma no pé e sair pedalando, atrás do que quer. Eu ouço tantas histórias de gente que fez. Hoje elas estão nas revistas, na TV, nos jornais. Eu as entrevisto, e me sinto ao mesmo tempo tão perto e tão longe delas. Ao ouvir suas histórias, enquanto anoto no meu caderninho, me dou conta que, para chegar até o meu gravador,essas pessoas rodaram muito. E batalharam para tirar a roda da cabeça e por nos pés. O mais importante: elas tinham um rumo certo. E não pararam ao chegar lá. A roda da cabeça continua funcionando, e a dos pés também. Uma máquina cujo motor é só motivação, ousadia, auto-confiança e coragem.

Você sabe o rumo? Sabe a trilha que tem de seguir para chegar lá? O que está faltando, então? Pedala, garota.

Julho 05, 2008

“Garotas brotam do chão”


Pode acreditar, muitos garotos pensam que, como árvores, garotas brotam do chão. É praticamente o mesmo que achar que vai nascer um pé de dinheiro no jardim. Mas... eles são retardados o suficiente para pensar isso.

Não fui eu que inventei essa frase. Ouvi de um cara de 30 anos que de repente achou que estava na hora de se casar. “Eu nunca tinha me preocupado com isso, e vivia tranqüilão, achava que assim que eu decidisse que estava na hora, a mulher da minha vida iria brotar do chão”. Pois é, agora ele estava vendo que não, não é assim. Garotas são como ele: nascem da barriga da mãe, crescem passando por várias experiências – muitas não tão prazerosas, o que deixa seqüelas – e que as relações são construídas, e não ganhas de mão beijada.

Mas essa “força de expressão” (mulher brota do chão) explica muita coisa. Primeiro: o quanto alguns garotos são egocêntricos. Eu sei, também já fui assim quando eu era criança (e imagino que todas as crianças já devem ter pensado coisa parecida, ainda que você não lembre). Lá pelos cinco, seis anos, já cheguei a acreditar que o mundo girava ao meu redor. Achava que, quando eu saía de um ambiente, todo mundo virava estátua. E quando eu chegava, as coisas começavam a funcionar. Uma espécie de “O Show de Truman” (você assistiu este filme com o Jim Carrey?). Alguns caras não passam desta fase do “o mundo é o meu umbigo, foi feito para girar ao meu redor”. Não é por mal, assim como não era por mal eu pensar isso aos 5 ou 6 anos.

Então eles pensam que, na verdade, a vida das mulheres não existe longe deles. É por isso que eles não têm dor na consciência quando são sacanas. Eles não ficam lá imaginando o quanto a garota está sofrendo, chorando no quarto, ligando para as amigas para falar do cara, deixando de comer e de dormir por causa dele. Eles pensam, simplesmente, que elas estão “estátua” enquanto a vida deles prossegue.

Em segundo lugar, pensar que mulher brota no chão mostra que, no fundo, eles acham que somos de uma outra espécie de seres vivos. A mesma das frutas, das folhas, dos legumes e das verduras. Ou seja: não somos pessoas. Não somos como eles. Somos seres um tanto quanto inferiores. E mais: inanimados. Não falamos, nem temos vontade própria. Fomos feitas, como as frutas, para alimentá-los, e, como as flores, para sermos olhadas e apreciadas. Nada além disso.

Até que um dia uma maçã caia na cabeça deles e... “Eureka”... eles se toquem que não, nós não brotamos do chão. Só então vão começar a se trabalhar para serem companheiros, cúmplices, amores de verdade.

Julho 03, 2008

O maldito cordão umbilical


Você já nasceu faz tempo, e sua casa há muito deixou de ser a barriga da mamãe. Mas ele continua lá. Intacto. Sim, você não o vê, mas sente, o tempo todo, a sua presença. Duvida? Te dou mais de uma prova:

1. Você namora justamente o cara que sua mãe detesta.
2. Escolhe um curso que os seus pais não valorizam.
3. Presta vestibular em outra cidade só para morar bem longe deles.
4. Anda com uma turma, segundo seus pais, de gente esquisita.

Você tenta, arduamente, cortar o tal cordão. Precisa se convencer, com todas as suas forças, que é um ser a parte, que sabe fazer suas próprias escolhas, que pensa com sua própria cabeça. Mentira. Ainda não é assim. Se pensasse, não se importaria em assumir, se fosse o caso, que quer ter exatamente a mesma profissão que o seu pai. Por influência, ou por genética. Ou que, no fundo, está com o tal garoto porque ele lhe dá uma sensação de aventura, de transgressão, de estar vivendo um filme, bem longe da sua realidade.

Também tem os que vão pelo caminho oposto: “vou trabalhar na empresa do meu pai”. E acaba só descobrindo, depois de muito tempo, de que aquilo não é nem nunca foi a dele. Quis facilitar e só dificultou. Lá na frente, ele abandona o curso no meio, e vai prestar vestibular tudo de novo. Ou a menina que casa com o cara almofadinha queridinho da família e na primeira sessão de terapia descobre, já com dois filhos, de que o cara não tem nada a ver com ela.

Uma amiga cuja mãe é uma renomada decoradora estava me contando que não pediu um palpite sequer para a mãe na hora de montar a própria casa, quando ela se casou, um ano atrás. O motivo? “Ah, ela iria querer mandar, fazer tudo do jeito dela”. E a gente pensa: mas nem uma sugestãozinha? Não, porque a gente sabe que, se por um lado a gente tem livre arbítrio para aceitar se quiser – afinal, a minha amiga tem 32 anos, e um bom salário, ou seja, já é adulta --, é bem capaz de acabar confusa do que quer por influência da mãe. Não tem palavra com mais peso do que a dela. E é assim para o resto da vida.

Outra amiga, logo que se formou, trocou sua cidade natal por São Paulo. Deixou para trás a possibilidade de ganhar bem melhor gerenciando os negócios do pai, um grande empresário. Disse que veio fazer o que gostava: ser designer em revista feminina. No mês passado, depois de oito anos de “independência”, adivinhe? Ela aceitou o convite do pai para trabalhar com ele. E sabe o que mais? Nunca se sentiu tão segura e independente como agora. “Não preciso mais provar para ele, nem para mim mesma, que sei me virar. Eu tenho certeza disso.” Ou seja: ela não passou oito anos fazendo o que gostava, mas se auto-afirmando.

Normal tudo isso. Vai passear por aí, se descobrir, mesmo que você descubra que é muito parecida com seus pais. No final, a gente está mesmo sempre “indo de volta pra casa”, como já cantava Cássia Eller.

Junho 30, 2008

Nosso corpo, nossa casa


Minha mãe acaba de reformar a cozinha da casa dela. E está simplesmente encantada com o resultado: o cômodo virou a estrela do lar! Seu programa predileto tornou-se levar as amigas pra conhecer a dita cuja. Ela sente orgulho ao recebê-las pela porta dos fundos! Eu fico estranhando: minha mãe, que nunca foi de cozinhar, sempre trabalhou fora e jamais preencheu o campo “profissão” dos formulários com o singelo termo “do lar”, agora toda toda com a cozinha dela. Que passa?

Fiquei pensando... E concluí que a nossa casa, como tudo na nossa vida, é um espelho do que se passa com a gente. A cada idade, a gente foca num cômodo. Se a gente fosse associar o corpo à casa, poderíamos dizer que a gente já nasce com a casa pronta, mas ao longo da vida vai preenchendo com móveis e adornos, e a cada fase, explorando um cômodo. Depois de ter conhecido bem e enfeitado a casa toda, a gente começa a reformar e mudar as coisas de lugar.

Na infância, o banheiro é o cômodo querido. Pensa bem: depois de largar a fralda, a privada vira uma espécie de trono – não é brincadeira, a gente sente orgulho de sentar nela! E quem consegue sair da banheira? São horas e horas inventando histórias naquele poço que, para os pequenos, mais parece o mar.

Já adolescentes, o quarto é o nosso reino. É ali que criamos nossas fantasias. Trancadas, nos auto-afirmamos como seres com alguma propriedade. O quarto é o nosso patrimônio. Ali desvendamos a nossa sexualidade, escrevemos diários, fofocamos segredos privadamente ao telefone com as amigas. E (para as mais corajosas), escondidas, levamos nossos namoradinhos, altas horas da madruga, na volta da balada, quando os pais estão dormindo.

Um pouco mais adultas, a sala vira o nosso mundo. É ali que fazemos a festa quando os pais estão viajando. Recebemos nossos amigos, interagimos com os pais na hora do almoço.

Mais velhas, aposentadas, com os filhos fora de casa, imagino que a cozinha se transforma num refúgio. A cozinha tem o cheiro de saudade dos tempos em que a casa vivia cheia de gente pra vir almoçar (os filhos e os amigos deles). Ali é possível exercer a criatividade, e reinventar nossas habilidades, criando pratos e provando novos sabores.

Mas, em qualquer época, é possível reformar e dar uma nova função a cada cômodo. Fazer da cozinha o ambiente principal, ou colocar um fogão com uma grande coifa e um telão na sala, pra misturar tudo. Enfim, layoutar a casa a nosso gosto. Assim como fazemos com nossos corpos: tatuando, emagrecendo, engordando, malhando ou siliconando. O que importa é ter uma casa aconchegante, que nos abraça e nos acolhe. Assim a gente não precisa ficar na rua por falta de vontade de voltar.

Junho 27, 2008

Aprendendo com O Aprendiz


Enfim, Justos escolheu pelo homem para casar: Clodoaldo. A disputa entre ele e Henrique espelhou um conflito bem familiar na vida de qualquer mulher: a atração pelo sedutor, e a simpatia pelo cara “fofo” e ponta firme. O sensível Clodoaldo sabia olhar para o outro, vislumbrar os seus desejos e expectativas. E, a partir desse saber, motivá-lo, entusiasmá-lo. Valorizava a garra, a superação, a sinceridade. Privilegia o manter. Mas, à primeira vista, era feio e apagado.

Já Henrique, gatésimo, evidentemente se acha. Mas esse topete, esse ar esnobe seduz qualquer um. Ele passa auto-confiança, sem pretensões de agradar a massa, seu lema é “eu sou mais eu”. Ao mesmo tempo, um cara pra lá de egocêntrico, individualista, competitivo. Ele representa a valorização do status, da aparência, da fama. Não confia em ninguém, só em si mesmo. Privilegia o ter.

Escolher entre um e outro diz mais da gente do que deles. No que você tira mais prazer: em sentir-se objeto (bem ao estilo “me joga na parede e me chama de lagartixa”) e ter orgulho de exibir o cara para as amigas (ou seja: fazê-lo de objeto também)? Ou sentir-se uma jóia rara, paparicada e segura ao lado de alguém que te protege, com quem há troca de confidências?

Em qualquer uma das opções, lembre-se: você vai ter de agüentar as conseqüências.

A sua voz


O que te salva das suas angústias? Não se engane: não são suas paixões, seus amigos ou o suporte da sua família. É o canal que você encontra para se expressar.

Ontem assisti um filme que conta a história da sofrida vida de Edith Piaf, estrela da música no início do século XX (e incomparável a qualquer uma das que brilham atualmente). Edith teve uma mãe alcóolatra, e passou a infância passando de mão em mão – por um período, foi entregue pelo pai à avó paterna que era cafetina (ou seja, viveu num bordel). Mais tarde, foi obrigada a acompanhar o pai no seu itinerário circense (ele era contorcionista). Mas, um certo dia, aos 9 anos, descobriu que tinha uma voz extraordinária.

Eu não sou brilhante, sou apenas competente, ou seja: procuro desenvolver habilidades e me apaixonar por elas. Mas Edith tinha talento. Era brilhante. Se apaixonou pela sua própria voz. Nela descobriu o canal para expressar o sofrimento construído durante anos. A cantoria saía do âmago e encantava toda a gente.

Ou seja: ela se apaixonou por uma habilidade que era só sua, só dependia dela mesma. E por mais que tenha perdido amantes, se decepcionado com amigos, sido maltrada pela família, ela tinha algo só dela a que se fiar. E era isso o que a motivava a viver.

E você? Qual é o seu talento? O que a faz brilhar? O que a motiva a viver? Descubra esse algo que é só seu e terá -- não felicidade garantida, isso ninguém tem
-- mas uma motivação verdadeira para estar aqui.

Blábláblá dos astros


Hoje o meu horóscopo alertava: “cuidado com fofocas!”. E eu fiquei pensando: como ter cuidado com fofocas? Ter cuidado presume evitar. Mas sob a fofoca não se tem controle. Qualquer dois podem comentar qualquer coisa sobre você: distorcer, exagerar ou apenas colocar um olhar maldoso sobre alguma atitude ingênua sua. As pessoas têm direito e são livres pra falar o que quiserem. E o pior: são ouvidas, ainda que não seja verdade, nem se tenha provas. Haja vista as revistas e jornais sensacionalistas que existem aos milhares em toda parte do mundo e vendem horrores.

Será que o horóscopo quis dizer “não vá ser ingênua”? Porque a única forma que há de você dar pano pra manga pra fofoca é confiar em alguém que não se pode, e acabar falando mais do que deveria. Ou, quem sabe, o ideal seria a astróloga radicalizar e mandar “Cale-se. Não fale uma palavra hoje”. Assim, seria garantido: sem falar nada, não teriam subsídios pra comentar qualquer coisa a respeito do que você NÃO disse. Certo? Não, mesmo assim seria possível: as pessoas fofocam sobre o seu cabelo, o seu jeito de andar, a hora que você chegou em casa ou saiu, sobre o seu namorado.

Enfim, NÃO HÁ COMO TER CUIDADO COM FOFOCAS. Se eu fosse a autora do horóscopo teria dito: “não dê ouvido às fofocas. Seja mais você.” Mas como sou apenas autora deste blog, aconselho: não leia horóscopos.

Junho 25, 2008

1+1= 8


Pra você ver como o amor é matemático. Num namoro, vocês nunca estão a dois apenas, por mais que estejam a sós. Por trás das escolhas, das interpretações e das decisões, tem um time inteiro influenciando. É uma espécie de equipe de suporte que, como toda equipe, às vezes ajuda, às vezes atrapalha a manter o foco.

Quem são esses exatos 8? Primeiro: às vezes são mais até do que oito. Mas, no mínimo, tem os seus pais, os pais dele, a sua melhor amiga, o melhor amigo dele (esses representam a turma toda de cada um!), e pelo menos o seu último ex, e a última ex dele.

Esse povo todo está internalizado em você, e nele. Ainda que não digam nada, você sabe o que eles pensam, o que eles falariam em cada situação e como lhe aconselhariam a agir. E nem venha me dizer “eu sou mais eu e não ouço ninguém”. Não tem jeito. Muito da nossa personalidade é do jeito que é por meio do olhar dos outros. A gente é, em geral, por antagonismo a algumas referências, ou por imitação.

Às vezes a gente coloca esse arsenal na geladeira um tempo. Mas acabamos os acessando de novo aqui e ali. Não é algo claro e convicto, o que torna tudo mais perigoso: muitas vezes a gente nem tem consciência de estar agindo como marionetes.

Bom mesmo é quando a gente descobre uma nova faceta, desta vez influenciada apenas pelo olhar daquele ali, que está na sua frente, te olhando nos olhos, fazendo um cafuné. Aí é uma delícia, você se vê de maneira diferente. E então vocês dois conseguem colocar no time, mais um, e viram nove: aquele povo todo e a relação de vocês, única e original.

Junho 24, 2008

O justo saiu de moda


Que libertação! Calma, não estou me referindo à moral e aos princípios. Estou falando de moda! Tenho observado já há algum tempo que moderno e cool agora é usar roupa larguinha, quase de grávida. É muito mais gracioso, mais de bem com a vida e nada vulgar. O sexy explícito não é mais bem visto. O bom é ser magra, sim, mas deixar a boa forma escondida, para ser descoberta. O lema é: abuse das batas e sobreposições!

E o melhor: é opção. Não é pudor, nem repressão. Pensando bem, estou falando de moral e de princípios mesmo. Por um tempo, as mulheres sentiram-se quase que obrigadas a expôr sua gostosura, sua cintura, os seios fartos e a falta de barriga em roupas bem coladas na pele. Era como uma armadura. A sociedade reprimia aquelas que não entravam no esquema de mulher fatal. Agora a gente pode andar livre, leve e solta por aí e, ainda assim, ser vista como sensual.

O foco está na atitude. Quem anda com roupa justa ganhou um ar de insegura, grosseira, e brega. Algo mudou ou é tudo só tendência de estilo? Claro que mudou! A moda é reflexo do comportamento. E viva o São Paulo Fashion Week!